Na Cristang - Na Malaca sa Português

MALACA

O BAIRRO PORTUGUÊS


"Nem tu menos fugir poderás deste,
Posto que rica e posto que assentada
Lá no grémio da aurora, onde nasceste,
Opulenta Malaca nomeada.
As setas venenosas que fizeste,
Os crises com que já te vejo armada,
Malaios namorada, Jaus valentes,
todos faras ao luso obedientes."
'Os Lusiadas'


Malaca fica na malásia, num estreito entre o Indico e o Mar da China foi por isso uma cidade estratégica de grande importância. Disso se deu conta D.Afonso de Albuquerque que a conquistou em 1509, e logo se começo a construir uma Fortaleza, apelidada por ele próprio "A Famosa" e realmente o foi, pois resistiu aos vários ataque de que foi vítima e só depois de muitas tentativas e seis meses de cerco é que os holandeses conseguiram que esta finalmente se rendesse.
São Francisco de Xavier chegou a Malaca em 1545 e faz de Malaca um centro envangelizador de onde São Francisco de Xavier pertendia envangelizar a China e o Japão, de tal modo a importância de Malaca aumentou que em 1558 se criou o Bispado de Malaca para o extremo oriente. São Francisco de Xavier morreu a caminho da Malaca para a China, o seu corpo foi depois transportado para Malaca e ai foi sepultado com cal viva, para que o corpo mais depressa se deconpusesse e os ossos pudessem ser exumados, contudo o seu corpo manteve-se intacto. S. Francisco foi sepultado temporariamente na igreja de São Paulo, situda numa colina, hoje em ruinas mas que mantem o tumulo do santo, três meses mais tarde foi transladado para a basilica do Bom Jesus em Goa . Hoje a Igreja da Colina ainda é alvo de peregrinação, tal como em Goa, tanto de cristãos como de hindus.
Em 1641 Malaca é conquistada pelos Holandeses, apartir dai os portugueses foram vítimas da presiguisão calvinista, e obrigados a sair da cidade. Mas passados alguns anos atenuou-se a intolerância os luso-descendentes volveram de novo à cidade. Desse revoltar construiu-se a igreja de São Pedro, segundo a arquitectura tradicional portuguesa, e sendo este o mais velho edificio religioso intacto no sudueste asiatico. A Igreja de São Pedro foi até há poucos anos a sede da missão portuguesa em Malaca, e o seu acervo documental é de grande importância histórica, e ilustra o passado obscuro desta população... No sec.XVIII Malaca muda de dono, desta vez para os Ingleses que a conquistam aos Holandeses. Estes dicidem apagar todos os vestigios da presença portuguesa. A "Famosa" teve de ser minada porque a população se recusou a destrui-la, restando, apenas, hoje alguns pedaços da fortaleza mais resistentes e a porta de Santiago, por outro lado a população opos-se por completo à destruição da Igreja da Colina. O grande interesse dos igleses era reduzir a importância da cidade, dai terem destruido qualquer edificio que pudesse ser uma atração, de forma a evitar que outra potência a tentasse tomar.
Passados 360 anos os luso-asiaticos ainda se destinguem do resto da população, são católicos, mantêem os nomes e os apelidos portugueses e a maior caracteristica é falarem um crioulo português o papiá Kristang. É de notar que os holandeses estiveram em Malaca 160 anos a mais que os portugueses e mesmo hoje a presença portuguesa na língua malaia é muito maior que a holandesa, é que enquanto subsistem em maláio cerca de 400 palavras de origem portuguesa as holandesas resumem-se a uns meros de 34 termos e cerca de 10 no crioulo português.
Os portugueses de Malaca, como se intilulam ou são conhecidos pelo resto da população, vivem no chamado Bairro Português ou Kampong Portugis (em malaio), são na sua maioria pescadores.
A população é pobre, não vive mal, mas a procura de melhores condições de vida levou a que muitos emigrassem, a diaspora espalhou-se por Kuala-Lumpur, Penang, Jahore e Taiping, na peninsula da Malásia; e Singapura, onde se podem encontrar ainda alguns nucleos. O de Singapura é o mais importante, aqui encontram-se cerca de 3000 descendentes de malaqueses, no entanto só a camada a cima dos 35, 40 anos é que ainda fala Cristão, pois os mais novos preferem aprender o Inglês como lingua de status. Até à decada de 70 o Cristão de Malaca era usado nas cerimónias religiosas, mas porque os mais novos pouco entendiam, foi substituido pelo inglês. Mesmo assim, algumas em congregações religiosas e algumas festividades o crioulo ainda é utilizado.
No Bairro Portugues vivem cerca de 2500 pessoas, são todos Cristãos e mantêm língua e custumes muito próprios. Celebram várias festividades religiosas e em termos culturais são extremamente ricos, têm um repretório vastissimo de estórias, músicas, romances, as pessoas colecionam-nas e quantas mais soberem maior é o mutivo orgulho. A verdade é que estes indo-portugueses tem uma ligação muito especial com a música, esta é o centro e a base dos seus custumes, não é raro ver pelas ruas do bairro ajuntamentos à beira de uma viola, tambores ou ferrinhos, grupos de pessoas a cantar e a dançar. As crianças são extremamente alegres e passeiam-se pela rua em brincadeiras e músicas. Estes homens são uma mistura de portugueses,hindus, chineses, sianeses, jaus e japoseses, conceguem manter a sua cultura apesar de poder vir a desaparecer com o tempo.
O Cristão não é ensinado na escola, apenas por vezes na catequese, ainda feita em crioulo, no entanto a sobreocupação do bairro e a ascendência de muitas pessoas tem vindo a afastar as pessoas, para os bairros próximos: Tranquera, Praya Lene, Isong Pasir e em Bukit Baru. O uso do inglês é visto como uma forma de ascenção social. Por outro lado nestes ultimos anos a comunidade temtido maior apoio e uma maior afirmação cultural, foi aberta pelo governo a Medis Portugis, a praça portuguesa, abriram vários restaurantes de comida portuguesa, portuguesa de Malaca, entenda-se, muito parecida com a de Goa, e Timor uma mistura entre comida portuguesa, indiana, chinesa e malaia, e ainda se come bacalhau. O criolo de Malaca era muito parecido com o desaparecido "papiçan" de Macau, e tem grandes semelhancas com o resto dos criolos existentes em todo o oriente.
Nos ultimos anos o Governo malaio tem-se interessado por esta comunidade, mas mais pela atração turistica que poderá causar essencialmente a europeus. Há uns anos atrás uma arquitecta portuguesa foi incumbida de restaurar a porta dos vice-reis e a Igreja de S.Paulo, e ainda de construir um centro cultural, por outro lado o governo malaio construiu uma praça à entrada do Bairro Portugues, o Chan di Padre, a chamada Medis Portugis, o interesse é obvio, e pode ser constactado nos cartazes turisticos onde se ilustra estes lugares como pontos de interesse. Por um lado tem os seus pontos positivos pois pode significar um aumento do nível de vida dos seus habitantes mas por outro uma invasão de exteriores ao bairro a este devido à oferta de mercado, como se pode constactar pelo facto de na Medis Portugis apenas 40% dos trabalhadores é são indo-portugueses. Tem sido contruidos alguns predios dentro do Bairro para familias malaias, o que demostra a abertura do bairro ao exterior
O nome "chan di Padre" ou "Padre sa chan" porque o terreno onde foi contruido o Bairro fora cedido à missão católica para alojar os indo-portugueses na decada de 1950. Antes disso os luso-descendentes agupavam-se em pequenos nucleos familiares, por alguns bairros tipicos de Malaca como Hillir, ou Tranquera (que me português significa bairro fora da cidade), as condições precarias destes habitantes levaram aque os padres pedissem ao residente ingles que cedesse terrenos para serem realojados. Hoje em dia o Governo malasio levantou um contecioso, em que concidera os terrenos seus, e resolveu cobrar uma renda simbólica, no entanto este contencioso levou aos esforços do Governo para fechar a Missão Portuguesa o que veio a acontecer em 1994/5 cortando de vez os unicos laços que se mantinham entre Portugal e os portugueses de Malaca. Por outro lado o Governo Malasio resolveu açorear a praia anexa ao bairro, e sendo a pesca a grande actividade do bairro, virá a invabilizar a própria situção do bairro, que nestes ultimos dois anos tem vindo a sofrer de um exodo elevadissimo. A construção de alguns predios junto à praia tem vindo a tirar a salubridade ao bairro.
Malaca sempre foi visto como o unico nucleo populacional indo-portugues que teria viabilidade em manter a união e a lingua, a verdade é que em apenas 4 anos tudo se alterou radicalmente, sendo o futuro bem mais negro e próximo do que se podera alguma vez previr !

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